ADVERSA
Nascida às avessas, caí logo num rio de merda. Desde então, tendo-se manifestado certa naturalidade para ir contra a corrente, tentaram (tentamos!) todos me botar nos eixos, nas engrenagens, no relógio, na carteira, no genuflexório. Após vasto período de alienação nas melhores escolas da cidade, meus revoltos cabelos bem penteados e meus pelos bem raspados (tal e ual uma moça que queira arranjar um bom partido), um bichinho começou a roer lentamente o miolo do meu miolo. De repente, tirei os sapatos e dancei descalça na chuva bem no meio da praça, atrapalhando a divina cinzidade das pessoas comuns. O bichinho me consumira inteira, eu era um verme enorme que só vendo. Lembrei-me do meu nascimento e de toda a merda que eu me forçara engolir. Fiquei feliz e absolutamente tranqüila: larvas interessantes se proliferam facilmente no cocô.

1 Comments:
cecília, que linda!
vou ver se te venho mais ao blog.
te pus no meu, agora venho mais sim!
muitos beijos pra você e os seus =)
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