7.11.07

a pleno vapor

água água água
os pés tocam a lama
água água água
borbulhas
água água água
as últimas borbulhas
água água aaaahhhh(r)

o sol invade as retinas molhadas pela fluidez turva.
o peito vivo faz coro com o arrepio dos pelos.
cada milímetro do corpo respira a agonia recente.

hoje não tenho dúvidas:
neste corpo jazem pulmões.

15.10.06

e existe isso de ficar contente com o amor do nosso amor por outrem?

com essa pergunta, nem besta nem séria, eu fecho essa birosca!
(até segunda ordem...)

9.8.06

só porque me inspirei...


uma névoa que tapa meus olhos.
e um frio - mais visual que qualquer outra coisa -
corta meus ossos expostos através da carne dilacerada por
outros carnavais. pulo
linhas desordenadamente, escrevendo torto
por papéis timbrados, notas fiscais, contratos concretos ou não.
me embolo em clichês pra ver se me esquento...
mas só vejo surgindo ao longe minha cabeça
aberta e AO NÓ.


(http://noritmodacarneflor.blogspot.com/)

5.5.06

uma dor aguda que me espeta a lombar
o lombo do burro de carga
o jegue vendido a R$0,50 na roça
carrega o menino nas anca
carrega na barriga um bolo todo cimento
(a concretude excessiva da política,
das políticas, das politicagens)
carrega na cabeça a lata dágua fria - a sua e a dos outros
que dá um banho em qualquer sonho que ainda esteja a vagar por aí
um grito acorda! na marra
de um desmaio, de uma convulsão de ano-novo
- já acordei mesmo? -
há que entender que não
que não há acordar
que não há acordo
que naõ há nem um pobre coitado de um jegue barato
a lhe oferecer humilde e humilhantemente o lombo animal
e que o caminho é todo a pé
de ferida e areia quente e folhas secas na memória
e uma dor ciática a lhe desconcertar

agora penso que estou cansada...

9.3.06

musiquinha besta

si fa sol la,
aqui na minha cuca
é céu cinzento
de pensamento

5.3.06

ADVERSA

Nascida às avessas, caí logo num rio de merda. Desde então, tendo-se manifestado certa naturalidade para ir contra a corrente, tentaram (tentamos!) todos me botar nos eixos, nas engrenagens, no relógio, na carteira, no genuflexório. Após vasto período de alienação nas melhores escolas da cidade, meus revoltos cabelos bem penteados e meus pelos bem raspados (tal e ual uma moça que queira arranjar um bom partido), um bichinho começou a roer lentamente o miolo do meu miolo. De repente, tirei os sapatos e dancei descalça na chuva bem no meio da praça, atrapalhando a divina cinzidade das pessoas comuns. O bichinho me consumira inteira, eu era um verme enorme que só vendo. Lembrei-me do meu nascimento e de toda a merda que eu me forçara engolir. Fiquei feliz e absolutamente tranqüila: larvas interessantes se proliferam facilmente no cocô.

19.2.06

saudades que sentirei de casa

...e suas mãos cheiravam suaves a alho, como mãos de mãe e de vó (antigas) em dias de domingo. os homens velhos e jovens discutiam sobre política... soberbos e inocentes, esses pequeno-burgueses.